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domingo, 2 de janeiro de 2011

Para os anjos e os santos, talvez até para Deus, aquele momento entre as 23:59 e as 00:00, entre 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, seja um dos períodos do ano mais frustrantes, e em que tais entidades divinas têm de apontar mais nomes de mentirosos, não vão ter um momento de esquecimento quando for a hora da verdade. Todos devem ser confrontados com os seus pecados, às portas do paraíso, depois de dar o esperado peido mestre. Mentir é um pecado, nem que seja mentir a si mesmo.
Nesse curto período molhado com espumante rasca, momento em que as tampas das panelas ganham uma vida que só quando tilintam em cima de água fervente deixam suspeitas de ter, hora em que o céu das capitais do mundo se enche de côr e as explosões não metem medo aos veteranos embriegados, em que mulheres lindíssimas beijam estranhos e lhes desejam um bom ano (tal como me aconteceu este ano no backstage do concerto), instante em que até as pessoas mais sérias, coladas com UHU às posições mais solenes gritam, assobiam.
Nesses 10 ou 15 minutos de loucura total, toda a gente tende a resolver qualquer coisa. Algo que não se fez o ano passado que se vai fazer este. Um comportamento que se vai alterar. Por exemplo, as marcas de tabaco perdem milhões de clientes que ganham minutos depois. As putas deixam de ser putas, porque era só um ano até fazer aquela quantia. A humanidade torna-se santa e cheia de objectivos a cumprir nos próximos 365 dias, e os anjos que se lixem, como as linhas de telefone, ficam sobrecarregados com clientes chatos.